Papa reage com "vergonha e arrependimento" aos abusos sexuais na Igreja

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Esta é a primeira vez na História que o máximo responsável da Igreja Católica se dirige aos fiéis em todo o Mundo para falar de abusos sexuais e da "cultura de morte" que os perpetua e esconde.
Numa carta aberta "ao povo de Deus", e na ressaca dos mais recentes casos de abusos sexuais que foram escondidos pela Igreja dos EUA, Francisco reafirma a necessidade de "tolerância zero" e da responsabilização dos abusadores.
"Com vergonha e arrependimento, reconhecemos como comunidade eclesiástica que não estivemos onde devíamos ter estado, que não agimos de forma atempada, percebendo a magnitude e a gravidade dos danos causados a tantas vidas", escreve o Papa Francisco, admitindo que é preciso "pedir perdão e procurar reparar o dano causado".
A carta, escrita em espanhol, a língua materna de Francisco, começa por evocar o "sofrimento vivido por muitos menores por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas".
O Papa assume os erros cometidos pela Igreja, nomeadamente na ocultação dos crimes, muitas vezes penalizando duplamente as vítimas, e diz que é preciso "pedir perdão e procurar reparar o dano causado" ao longo de décadas. "Olhando para o futuro, nunca será pouco tudo o que for feito para gerar uma cultura capaz de evitar que essas situações não só não aconteçam, mas que não encontrem espaços para serem ocultadas e perpetuadas", acrescenta.
No texto, o Papa recorda que nos últimos dias foi divulgado um relatório sobre casos de abuso sexual de menores, nos EUA. Novos dados dão a conhecer "aquilo que vivenciaram pelo menos mil sobreviventes, vítimas de abuso sexual, de poder e de consciência, nas mãos de sacerdotes por aproximadamente setenta anos", admite o Papa.
"A dor dessas vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado. Mas seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenciá-lo ou, inclusive, que procuraram resolvê-lo com decisões que aumentaram a gravidade caindo na cumplicidade", lê-se no texto.
Exortando as comunidades católicas a unir esforços para "erradicar esta cultura da morte", Francisco diz que as feridas "nunca prescrevem" e diz que a Igreja está a trabalhar para adotar uma política de "tolerância zero" com os abusos e de responsabilização de todos os que abusem ou encubram abusos.
A questão exige uma resposta "global e comunitária" e de "solidariedade" perante as vítimas. "Essa solidariedade exige que denunciemos tudo o que possa comprometer a integridade de qualquer pessoa. Uma solidariedade que exige a luta contra todas as formas de corrupção, especialmente a espiritual", acrescenta Francisco.
O Papa apela à penitência dos católicos pela "oração e pelo jejum" com o objetivo de promover essa solidariedade e alargar o compromisso com uma cultura que diga não a qualquer forma de abuso.
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